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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O dia em que a Coruja virou Tartaruga

Mal o dia amanheceu e ele estava chegando a seu trabalho. Maldito horário de verão. Em outros dias ainda seria sete da manhã, horário que normalmente estaria saindo de casa e não chegando ao trabalho.
Eis que de longe ele enxerga a ave. Sorrateira e num vôo lento e curto, a coruja se movia rumo ao seu ninho. E ele mais que apressado teve que desacelerar para não atropelar a coruja e muito menos ser visto por ela. Parecia um jogo de gato e rato, ou de detetive e bandido. Ele andando-correndo um pouco mais atrás, e a coruja quase que virando uma lesma a sua frente.
Droga, assim ele vai se atrasar, mas ele não pode passar pela coruja, ela não pode vê-lo. Deus do céu, há dias que ele não vê a coruja e queria que continuasse assim. A ave parece não querer ir para o ninho de trabalho, se move feito bicho ferido, a coruja está mais devagar que uma tartaruga. E ele com a pressa de uma lebre.
E ficam nessa corrida sem vencedor. Ele tendo que esperar a coruja-tartaruga, sem poder ultrapassá-la, para que possa chegar em paz em seu trabalho e evitar que aqueles dois olhos grudem na sua testa!
Finalmente, ele consegue, chegou. E a coruja nem notou sua presença. Ou ela usou seus olhos nas costas para observá-lo em silêncio.


Crédito: emersonfialho.files.wordpress.com