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segunda-feira, 5 de março de 2012

Uma noite fria

Eles passaram pelas portas de vidro, a moça virou-se para eles e disse:
- Podem se despedir de seu filho aqui.
O garoto abraçou seu pai, sua mãe e seu irmão. As lágrimas não puderam ser evitadas e ele só queria poder ter tido a força de contê-las e não deixar a situação pior do que já estava. A moça ofereceu-se para levar a sua mala, e caminharam pelo longo corredor. Ele nem sequer ousou olhar para trás, seria muita tortura ver aquela parte da sua família que estava ali, parada e impossibilitada de mudar aquele cenário.
Entrou no quarto, a moça despediu-se e fechou a porta. Ele apagou a luz, sentou-se numa poltrona e chorou muito mais. 
Aquele quarto escuro e vazio, as cortinas abertas deixavam que ele pudesse ver as estrelas, suas companheiras naquela noite insone. Suas lágrimas foram interrompidas por uma batida na porta:
- Com licença, está precisando de alguma coisa? Mais um cobertor ou travesseiro?
Neste instante, o rapaz percebeu que o ocupante daquele quarto chorava.
- Mas porque estas lágrimas? Vai dar tudo certo. Precisa de alguma coisa?
- Só queria comer.
Já passavam das 2AM. O rapaz saiu e ele repetiu em voz alta para si mesmo, em tom de zombaria:
- "Vai dar tudo certo"... se ele soubesse. 
- Vou até a cozinha ver o que posso fazer.
Minutos depois ele regressa com uma bandeja com biscoitos, chá e umas torradas. 
- Se precisar, é só chamar.
Ele sorriu em resposta. E voltou-se para o pequeno lanche. Cada mordida vinha acompanhada de soluços e mais lágrimas. Uma competição, mastigava e soluçava, mastigava e soluçava. Deitou, mas não queria dormir. Levantou-se e foi até a janela, abriu e sentiu aquele vento gelado da madrugada balançar seu cabelo e refrescar o seu rosto, ele fechou os olhos e viu seus familiares na recepção, parados, sem ter o que dizer, sem ter algum outro gesto a não ser o de ficarem lá, talvez petrificados e observando enquanto ele se afastava. Pensou também que não deveria ter recusado em falar com suas irmãs ao telefone mais cedo, ouvir suas vozes seria o melhor acalanto naquele momento. Deveria ligar? Hesitou, não queria acordá-las e não conseguir dizer nada a não ser chorar do outro lado da linha, e talvez deixá-as preocupadas.
Ali, os três: pai, mãe e irmão provavelmente também choraram enquanto viam o rapaz sair pelo corredor e virar à direita e desaparecer. Talvez, enquanto os três se voltaram e passaram pela porta de vidro em direção ao carro, também chorassem ou talvez tentassem não mostrar a tristeza que os assolava para que pudessem, juntos, ficar fortes. 
Ele abriu os olhos, virou-se e encarou aquele quarto vazio, luzes apagadas que só deixavam aparecer uma única cor, o cinza. Em algum momento ele voltou para a cama e adormeceu. 
E as luzes, continuavam a passar e passar. Na realidade, era ele quem passava por elas.

quinta-feira, 1 de março de 2012

After the rain


Image from: betterphoto.typepad.com

I like the smell of the city
The lights reflecting on the street
After the rain
I like the breeze through my hair
And hearing soaked steps
After the rain

I know it sounds crazy
But it makes me feel like dancing
I don’t want to go home
All I need is to be on the streets
Feeling the energy
After the rain

Waking up is never easy
When I look through the window
It’s raining
Later on I’ll feel better for sure
Because I know I’ll be on the street
After the rain
I like to see the droplets on my window
It’s good to see the pavement all wet
After the rain

You’ll think I’m crazy
But all I want to do is dance
After the rain
I don’t want to go back home
I want to hanging around with my friends
After the rain

I feel blooming
I feel happy
It’s not singing in the rain
Because I’m all concerned about
After the rain

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Palavras sob encomenda

Image from:  olhares.uol.com.br   
Minhas palavras foram encomendadas, mas elas não souberam como se comportar. Saíram correndo e minha mente ficou vazia.  Aos poucos elas foram voltando, mas apenas pude criar rimas pobres como amar e coçar, sentir e fingir. Então eu decidi esperar que todas voltassem para casa para termos uma boa conversa, para podermos produzir um texto que interessa, mas como está calor à beça, elas resolveram tirar uma sesta. Reunião adiada, palavras, vamos descansar e depois pensaremos no que iremos publicar.     

(ih, voltamos às rimas pobres, hora de desligar).


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

What are you looking at?


Ah não! Será que terei de fazer contagem regressiva mais um ano? Eu aguento? Reza a lenda que Madonna fará shows no Brasil em Dezembro e já tem data marcada.
Prometo tentar fazer a contagem regressiva somente cinco dias antes do show, ok? Da vez passada eu entupi este blog de postagens sobre Madonna, mas quem é fã entende a euforia. Não é um show qualquer e não é uma artista qualquer, é a MADONNA. 
Não quero criar expectativas, mas se o Superbowl foi daquele jeito, imagine como pode ser a nova turnê. Agora é ficar esperando por mais notícias. 

L-U-V MADONNA

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um de nós

Lá foi ele ao local indicado. Assim que chegou, reconheceu o ambiente típico de lugares como aquele. Pessoas com expressões estranhas, que exalavam todas as podridões que elas tinham. Ele olhava ao redor e sentia-se num submundo, parecia que todos estavam sujos, de algum modo tóxicos e olhavam para ele com um olhar estranho. Foi quando ele se deu conta de que na verdade era um olhar de "bem-vindo, agora você é um de nós". 
Era verdade, agora ele é era um deles. Não fugira às estatísticas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Smoking in the dawning

Here I am, on the floor in my room. After a regretful smoking (damn I need to quit), it still dark outside and I could see the stars. Alanis just sang to me "the only way out is through" and now I got what it means. I'm working my "through", sometimes it gets hard to go by, but I know I must try. 
A sad tear drops, and then I realize 'what am I sad about?'. I can't find the answer right now. But reasons I do not have, because I have terrific friends and a lovely family and they're helping me out in their own manners.
I am tired, that's it. Tired of having to pass through it all again. I can't stand those lights passing by me, ops, I forgot, it was me that was passing by them. But I'll find my way out and I know that the only way is through. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O sonho

Este sonho aconteceu em algum momento entre os três meses finais do ano passado.

E lá estavam eles, sentados na mesa de um bar como bons amigos costumam fazer. 
- Preciso ir ao banheiro, volto já.
Mas quando ele voltou, os amigos haviam sumido. Simplesmente foram embora, deixando-o para trás. Ele não conseguia entender porque os amigos fizeram aquilo. E ainda mais aquele amigo em especial. Desolado, permaneceu mais um pouco no bar e logo foi embora. 
Como não comandamos os sonhos, neste ele estava indo tomar um ônibus, a noite estava agitada e era o único modo mais rápido de se chegar em casa. Enquanto esperava, o seu amigo aparece para pegar o mesmo ônibus, só que estava com outra pessoa e ignorou totalmente a presença dele. 
Entraram naquele ônibus e ele observava o amigo cheio de carinhos com o outro. De súbito, o amigo começa a passar mal, cai no chão e o acompanhante fica só olhando ao invés de agir, logo vira as costas e sai de fininho. 
Ele gritava, implorava para alguém ajudar o amigo, mas todos pareciam surdos e só olhavam enquanto ele se contorcia de dor. Sem hesitar, correu em direção ao amigo e tentou fazer de tudo para ajudar. Ali em seus braços, o amigo começava a se acalmar daquelas convulsões malignas, enquanto ele fazia o possível para curá-lo, como se fosse capaz de executar um milagre. 
O sonho acaba aqui, ele acordou com a imagem do rosto dele, que era sereno e parecia dormir confortavelmente em seus braços. Sem dor, apenas feliz e, agora, descansando.