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terça-feira, 21 de outubro de 2008

As paredes.

A história tem suas fases, a música tem suas fases, a moda tem suas fases, então, por que ele também não poderia ter suas fases? Quem acompanha, sabe que agora está numa fase de lamentação, ou uma fase negra (como ele costuma dizer). Creio que o que irá ler em seguida, seja o encerramento dessa fase negra e o pontapé inicial para uma nova fase, ainda sem nome, mas uma luz no fim do túnel.

Agora em silêncio, ele apenas ouve o vento agitar os galhos das árvores, consegue distinguir os diferentes cantos dos pássaros, que parecem conversar entre eles. Ou será que tentam conversar com ele?
As paredes, agora confidentes, ouvem o seu lamentar. São boas nisso. Talvez seja porque não tenham para onde ir, estão condicionadas a ficar ali, estáticas. Mas elas são ótimas em seu papel que, além de boas ouvintes, se unem para sustentar um teto, se abraçam para formar um abrigo e aconchegar seu interlocutor, que não pára de cantar a mesma canção, assim como os pássaros, que nesse momento parecem só emitir um tipo de som. Uma espécie de súplica, nos pedindo para lhes dar atenção. Mas assim como ele, não são ouvidos e para os pássaros só lhes restam as árvores, que assim como as paredes, também não têm para onde ir e terminam por assim ser, suas confidentes.
Os pássaros perdem o seu canto por entre as árvores; e ele perde suas palavras nessas paredes. Talvez num futuro distante, elas passem pra frente suas palavras. Talvez se ele parasse de falar e se aproximasse das paredes e ouvisse atentamente, conseguisse ouvir que elas respondem.