Pesquisar este blog

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Mer Girl

Pra quem acha que Madonna só fala de sexo e putaria. Pra quem acha que ela é só materialista. Vai uma de suas letras mais profundas “Mer Girl (do álbum Ray of Light de 1998)” que é uma das minhas favoritas, pela interpretação de Madonna e pelo teor da letra, pelo tom sombrio contido na canção.
Madonna fala sobre a morte de sua mãe de forma peculiar, numa viagem onde ela passa por colinas e pomares, ela entra no cemitério e então é engolida pela terra, onde parece que a cantora diz ter sido enterrada junto de sua mãe, como se fosse um último encontro. Ela narra: “E o chão se abriu debaixo dos meus pés, e a terra me pegou no colo. As folhas cobriram meu rosto, formigas andaram nas minhas costas [...] E eu senti o cheiro da carne dela queimando, a raiz dos seus ossos, seu apodrecimento”.
Pode parecer uma letra macabra, mas é uma letra onde parece que a Madonna expulsou seus demônios, ou parte deles.
Para os envolvidos na produção da música, disseram que após gravar a voz na canção e sair da sala, todos estava boquiabertos e arrepiados com a interpretação da tia Madge. Realmente, uma excelente canção.

Eu corri da minha casa que não consegue me conter
Do homem que eu não consigo manter
Da minha mãe que me assombra embora ela já tenha partido
Da minha filha que nunca dorme

Eu corri do barulho e do silêncio do tráfego das ruas
Eu corri para o topo da árvore
Eu corri para o céu
Para fora do lago
Para dentro da chuva que embaraçou meus cabelos e molhou meus pés e minha pele
Escondeu minhas lágrimas escondeu meus medos

Eu corri para a floresta
Eu corri para as árvores
Eu corri e corri eu estava procurando por mim

Eu passei pelas igrejas e pela velha e torta caixa de correio
Passei pelo pomar de maçãs e pela senhora que nunca fala
Para cima do morro eu corri para o cemitério
Segurei minha respiração e pensei em sua morte

Eu corri para o lago para cima do morro
Eu corri e corri eu ainda estou olhando

E eu vi os túmulos caídos todos os nomes esquecidos
Eu provei a chuva eu provei minhas lágrimas
Eu amaldiçoei os anjos eu provei meus medos
E o chão se abriu debaixo dos meus pés
E a terra me pegou no colo
As folhas cobriram meu rosto formigas andaram nas minhas costas
O céu negro se abriu me cegando

E eu senti o cheiro da carne dela queimando
A raiz dos seus ossos
Seu apodrecimento
Eu corri e corri e ainda continuo correndo...