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sábado, 18 de dezembro de 2010

A Festa do Fim de Ano

E lá estava ele, fazendo a social na festa de fim de ano da empresa. Irônicamente chamada de "Festa na Laje". Ele imaginou "carne, cerveja, pão e maionese". Dito e feito. Tudo poderia ser pior, mas conseguiram aterrorizar quando trouxeram um Videokê. Ele não entende porque as pessoas acham graça naquilo e como que magicamente quando estão com o microfone nas mãos, as pessoas acreditam ser comediantes.
Ele sentado naquelas cadeiras de plástico e apoiado na mesa também de plástico. Ao fundo uma pessoa cantava no videokê "Essa vai para fulano hahahahaha", ninguém ria, talvez só o fulano e o "nada cantor".
Comida servida, foi só anunciar "pessoal, a carne está pronta" que não se via mais uma mesa ocupada, todos de pé se empurrando em uma fila enorme. Nessas horas ele percebe como os carnívoros são engraçados e se tornam mais selvagens na hora da refeição. Ele  esperou pacientemente a fila diminuir para servir-se do seu trivial arroz, tomate, cebola, maionese e qualquer outra coisa que não fosse algum animal morto. Neste momento, alguém teve a brilhante ideia "é festa na laje, tem que ter funk" e começou toda aquela sessão de gritaria que só o funk faz para você "dói um tapinha não dói..." e aquela [se é que podemos chamar assim] música doendo em seus ouvidos. Não contente, o cantor, ou melhor, a cantora que era dona do videokê voltou a tomar as rédeas do microfone, naquela linha "a bola é minha só eu chuto" e nos deliciar not com os seus dotes artítiscos. 
Ele olhava ao redor, a festa acontecendo no estacionamento da empresa, porque eles não tem laje ali, aquela chuva, a cerveja já havia acabado faz tempo (compraram um barrilzinho de chopp, claro que não durou muito, ainda mais com aqueles caras sem noção que pensam que a festa é só deles) e ele ali, sentado e observando o mundo animal.
Por fim ele saiu de lá mais anônimo do que entrara e menos animado também. Festas de fim de ano deveriam ser aprovadas pelo INMETRO primeiro, porque funk e videokê numa laje que não é laje e num dia de chuva, é para acabar com o Natal de qualquer um.