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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma noite de Madame Chá

Ela nem se importou quando ele disse que estava levando junto um amigo.
- Podem vir! Anota aí o meu endereço.
E Chá esperou. Mais rápido do que ela poderia imaginar, eles chegaram. Não houve tempo para qualquer introdução formal e os três já estavam em cima do sofá. Roupas ficaram espalhadas pelo corredor e terminaram em cima da cama de Chá.
Faltavam poucos minutos para o sol surgir; ela, Luiz e o amigo Chris estavam deitados na cama conversando sobre qualquer bobagem que viesse à cabeça. Em determinados momentos Chá não ouvia a conversa, voltava a se envolver nas imagens daquela noite, chegava a confundir quem era Luiz e quem era Chris.
- Precisamos ir embora. – Luiz a desperta das lembranças frescas.
- Tudo bem.
- Eu chamo um táxi. – dito isso, Chris levantou-se e foi se vestir.
Todos prontos e ela os conduziu até a porta.
- E como é o seu nome mesmo? - indagou Luiz.
- Podem me chamar de Chá.
- Chá?! Ok... - disse Luiz com uma expressão confusa, misturando a vontade rir com a intriga.
Por fim entraram no táxi e partiram. Chá observou a rua vazia. O céu rosado, indicando que o sol estava apontando. Será que alguém se pôs a observá-la desde o início da noite? Talvez uma moça possa receber amigos sem levantar suspeitas? E o quanto ela se importava com o que pensavam os vizinhos? Perguntas das quais ela não fazia questão de saber a resposta, ao menos por enquanto.
Chá precisava se manter discreta, quanto menos quisessem saber sobre ela seria melhor. E comportando-se de maneira estranha não ajudaria muito a ficar “invisível” para os vizinhos curiosos.
- Que merda é essa? - ela interrompeu as suas indagações. - Não estamos mais no início do século. As pessoas não podem cuidar de suas vidas?
Voltou para dentro, desligou o seu computador, tomou uma última xícara de café e após uma longa ducha adormeceu em sua cama bagunçada.