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quinta-feira, 19 de março de 2015

Ainda quero falar de Madonna

"Se é amargo no começo, então fica mais doce no fim" (Get together). 




Hoje resolvi pisar em solo perigoso, falar de Confessions on a dance floor, dependendo do que for, é o mesmo que declarar guerra. Pois esse é um dos discos mais queridinhos pelos fãs da Madonna, assim como mencionei na postagem anterior, vem sendo colocado como o último trabalho decente dela até a chegada de Rebel Heart (2015) - e ai de você se disser o contrário. Ok, por que eu resolvi falar dele agora? Justamente porque eu não acho que ele seja uma obra-prima como muitos gostam de apontar. Pois bem, escolha suas armas e vem comigo. 



A capa do disco já trazia uma ideia do que estava lá dentro: músicas para a pista de dança. Confessions é ruim? Claro que não. Aliás, odeio colocar em ranking os discos da Madonna e, justamente por fazerem isso a todo momento que eu resolvi dizer algumas palavras sobre o amadinho das bee

Toda fã de Madonna adora um bate-cabelo, principalmente se tiver nascido a partir dos anos 90 (ui, generalizei). Com esse disco, a cantora conseguiu atingir um público mais jovem (isso é fato), inúmeras pessoas que eu já conversei estavam em seus teenages quando conheceram a "obra". 

Já que é para classificar entre melhores e piores da Madonna, eu me atrevo a dizer que o disco figura no meio termo, no limbo, nem o melhor nem o pior, apenas mais um disco. O que ele traz de bom? A capacidade de Madonna de ressucitar tendências e deixar tudo com carinha de novo, de fresco. O que ela reviveu? A deliciosa era Disco do fim dos anos 70 e começo dos anos 80. Só que dizer que Confessions on a dance floor revive aquela era, é o mesmo que falar que Back to Basics da Christina Aguilera representa as décadas entre 1920 - 1940, quando na verdade, doa a quem doer, os dois discos apenas trazem alguns elementos sonoros da época e mesclam, com severidade, batidas modernas que quase camuflam o déjà-vu, deixando tudo como um bom e belo pop dos anos 2000.

Neste sentido, acho o Hard Candy (2008) muito mais autêntico (sim, podem me espancar), porque Madonna queria "reconquistar" o mercado americano, então juntou fielmente todos os elementos que estavam em alta no mercado de lá e, consequentemente, todos os produtores em voga daquele momento e fez um disco bem R&B/Pop americano. Foi bem recebido? Claro que não. E por que não? Porque as pessoas querem Madonna vanguardista e com Hard Candy ela apenas entrou numa onda que já havia sido muito explorada por Nelly Furtado e seu Loose (2006), por exemplo. E fora o fato de que parece que Madonna estava fazendo featuring em seu próprio disco.    




Hung up traz sample de Gimme Gimme Gimme (A man after midnight) do ABBA e Future Lovers lembra muito I feel love de Donna Summer, apesar de ficar mais evidente na versão ao vivo durante a turnê Confessions.  E depois? Cadê a era disco? Não tem. Temos mais um álbum com algumas faixas dançantes (algo já presente em momentos do Erotica, do Ray of Light, do Music e até do American Life), nada de extraordinário a meu ver. Calma gente, estou dizendo que o álbum é bom, só não acho que seja esse "monstro" clássico que apontam. Já ouvi fãs rezando para que ela fizesse um Confessions 2.0 (aliás, odeio qualquer fã que venha com esse papo 2.0 para um álbum). 

Um feito que precisa ser notado é a imagem. Nisso não há do que discordar, Madonna trouxe todo o visual daquela época para os dias de hoje (quero dizer, para aqueles dias), fechando tudo com uma turnê que recriou uma mega pista de dança. E claro que se formos comparar com outros lançamentos, a sonoridade de Confessions foi algo diferente do que se estava no mercado (falando de modo bem genérico mesmo). Pontos para ele. Vale lembrar que a partir deste ano de 2005 Mariah chegava com os dois pés no peito da galera com o The Emancipation of Mimi, Nelly Furtado traria o Loose e Christina Aguilera o Back to Basics, todos no fundo no fundo com elementos R&B, mas isso é outra história.



Posso dizer que nem é tão "masterpiece", pois até hoje não achei uma pessoa que não tenha reclamado de Push, Get together, Like it or not e Forbidden love, fora o fato das pessoas que se identificam com letras, o restante chiou porque não dava para dançar. Muitos dizem que o disco é bom até a metade, pois dali pra frente Confessions entra numa caída constante. 

Madonna queria nos trazer para a pista ou trazer a pista até nós? Conseguiu sim. Sua turnê foi muito boa? Foi sim. Agora dizer que este é um disco mega-hiper-uhlala maravilhoso, discordo. Ainda prefiro continuar com o cliché e atrevimento de dizer que Ray of Light foi o último sopro criativo de Madonna, apesar de que American Life foi um disco bem bacana e que foi "boicotado" por sua carinha "restos de Music" e sua promoção guerrilheira pós 11 de setembro (que não caiu muito bem entre os americanos). 



"You can like it or not". Fique à vontade para apontar lacunas, para acrescentar ideias ou discordar de mim. Não pretendo nada com essa postagem, apenas gosto de falar o que eu penso de vez em quando.  


images: 
http://allaboutmadonna.com/images/news/2006/06-06-09-madonna-for-hm.jpg
madonnadesign.blogspot.com
http://images4.fanpop.com/image/photos/19700000/Madonna-Confessions-On-A-Dance-Floor-Photoshoot-madonna-19706644-734-700.jpg
http://2.bp.blogspot.com/_mupIVJbjvuU/TJfBi-Lp_hI/AAAAAAAAHKU/6iNJZvXE-yk/s1600/Made%2Bby%2BShamelessGoddess.png
http://img2.timeinc.net/people/i/2008/news/080324/madonna_candy.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/6/6e/Confessions_On_A_Dancefloor.jpg

References:
http://en.wikipedia.org/wiki/2005_in_music
http://en.wikipedia.org/wiki/2006_in_music
http://en.wikipedia.org/wiki/Confessions_on_a_Dance_Floor