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sábado, 9 de março de 2019

Empoderadas e Poderosas

O Dia Internacional da Mulher já passou e, inspirado pela ocasião, resolvi procurar pelo mundo pop músicas e cantoras empoderadas. Vamos ouvir?

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https://metronome.uk.com/events/women-in-music/women-in-music/
Vou começar pela clássica Express yourself da Madonna. Um hino feminista do fim dos anos 80. Madonna foi uma das primeiras feministas no mundo da música - ou pelo menos a com maior visibilidade. Graças à sua coragem, muitas cantoras podem fazer e ser o que quiserem nos dias atuais. Se a porta para a libertação estava entreaberta, Madonna a escancarou com um pontapé certeiro.


Na canção, Madonna chama todas as garotas pra briga e pede para que se expressem e não aceitem qualquer coisa dos caras. "Expresse-se e Respeite-se", ela canta mais ao fim da música.

Ainda nos anos 80, temos a divertida Girls just want to have fun da Cyndi Lauper, lançada em 1983. Na canção, Lauper afirma que as garotas só querem se divertir, como se isto fosse algo impossível (e de fato era, e acredito que ainda seja em muitos casos). A sociedade exige que a mulher trabalhe, cuide da casa e dos filhos e do marido, ele chega em casa e comida deve estar pronta. Nada disso, elas fazem o que elas querem e quando querem. E se quiserem apenas se divertir, que assim seja.


O ano agora é 2013, a cantora é Dido. Em End of night, Dido fala sobre um relacionamento ruim que teve e agora estando livre, ela pode aproveitar a vida. "Eu não senti nada quando te vi chorar, eu não estou te ouvindo então nem perca seu tempo tentando me responder. Venha aqui, assim você poderá me ver partir e curtir o fim da noite." Ela está no controle e deixando claro: eu não preciso de você. 



Em 2014, Lily Allen foi fundo e criticou a postura da indústria musical com as mulheres. Em Hard out here, a cantora fala que se uma mulher comenta sobre sua vida sexual, é chamada de vadia, mas quando os caras falam sobre "suas vadias", ninguém comenta nada. A música ainda fala sobre a objetificação da mulher, sobre a cultura do corpo perfeito e sobre desigualdade e injustiça. Aproveitem e vejam também o vídeo clipe.



Seguindo por esta mesma linha, temos Christina Aguilera. Can't hold us down foi lançada em 2002 e fala sobre o fato de que nunca se espera que uma mulher emita opinião, aquela história de que quando um homem faz é ok, mas quando é a mulher que faz, ela é rotulada de todas as perversidades. Ela chama as mulheres para se unir e canta em alto e bom som "eles não podem nos segurar". 



Joss Stone é na dela, mas é muito empoderada. Neste caso, ela aparece aqui na lista por ter sido corajosa. Ela rompeu o contrato com uma gravadora (EMI) que a estava prejudicando e criou seu próprio selo, o Stone'd Records. Resumindo o caso, ela gravou um disco e a gravadora disse que não estava sabendo de nada e não iria autorizar o lançamento, o disco ficou "preso" por um bom tempo. Quando Joss finalmente conseguiu lançar o disco em 2009, ela fez questão de compor uma música, a Free me, em que pede "Liberte-me EMI. Não me diga que eu não irei, pois eu vou, não me diga que não sou, pois eu sou. Não deve ser algo que estejam acostumados a ver, uma garota que vai atrás do que quer, num mundo que tenta tirar o seus sonhos." Bravo, Joss!



E não para por aqui, ela está em turnê já não sei há quantos anos, visitando todos os países do mundo. Fazendo o que ela quer, quando quer. Procurem no YouTube os registros desta turnê, ela faz duetos com cantores locais. É lindo de se ver e ouvir. 

Acho que vou ficando com minha playlist por aqui, mas logo eu escrevo a parte 2. Tem mais cantora empoderada vindo aí. 

sexta-feira, 8 de março de 2019

Reflexões do almoço

Durante meu tranquilo e solitário almoço, acabei ouvindo a conversa da mesa ao lado (eles estavam falando alto, foi inevitável). A conversa me fez pensar sobre algumas coisas. 
Eis que a moça estava narrando suas aventuras no carnaval e, em dado momento, disse que acabou a noite numa casa noturna e adicionou o parênteses desnecessário: era 99,9% gay. Então um dos moços que estava com ela complementou "aaaaah bom, agora faz sentido, porque eu nunca tinha ouvido falar desse lugar, tá explicado, é uma boate gay". Aaaah bom, moço, eu estava ficando preocupado, imagine você, hétero, conhecendo locais arco-íris né?! Saiba que eu também não conheço esta boate aí, estou virando meio hétero?
Enganchei um outro pensamento: quando héteros, geralmente homens, dizem que vão a baladas gays, vem sempre a justificativa "a música é boa; a bebida é boa; as coisas são baratas..." Parem, parem, parem. Simplesmente digam que vão porque gostam, não te faz menos hétero frequentar uma balada gay, sabia? Deixem este medo e preconceito de lado. Eu "mesmozinho" tive uma infância e adolescência regada de lugares e hábitos ditos hétero e no fim das contas... gay estou! Estranho...
Bem, voltei ao mundo real a tempo de ouvir o outro moço falando "... sempre me respeitaram. Teve só uma vez que um cara passou a mão em meu peito e eu já fiquei 'ê, sai pra lá'." Minha vontade nesta hora era novamente me intrometer na conversa e dizer: moço, sabia que isto acontece com as mulheres o tempo todo e em todos os lugares e a qualquer hora do dia? Veja como é incômodo e errado. E se a moça reclama, é capaz de piorar o assédio e ela ainda levar uns tabefes nas ventas só porque ela também ficou 'ê, sai pra lá'. Aliás, não é só hétero que assedia mulher não, gay também assedia gay. O simples fato de você estar na balada já justifica a gay vir lhe passando a mão. Amigo, vamos com calma. Fica a dica aí pra todo mundo: nada de sair alisando e apalpando os amiguinhos, não é correto e não é legal. 
Por fim, fiquei pensando, vamos nos libertar das amarras? Vamos cuidar para não invadir o espaço do outro? Vamos procurar fazer aquilo que gostamos, sem justificativas? Vamos ser felizes, sempre respeitando o próximo? Vamos nos permitir!