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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Pop Geishas

Quando o assunto é a realeza do pop, eu sou enfático: se Madonna é a rainha, Kylie é a princesa. Se existisse uma sucessão, Kylie estaria no topo da lista para tomar o trono assim que ele fosse desocupado, doa a quem doer (mesmo eu achando esse papo de rainha, trono e afins uma grande bobeira). 


Se nos anos 80 Madonna e Cyndi Lauper eram "rivais" (porque né, a mídia precisa vender seus produtos), nos anos 90 e até boa parte dos 2000, Kylie Minogue deu trabalho para Madonna, principalmente nos charts Europeus. Sabemos que não existe rivalidade, sabemos que as duas vivem "trocando figurinhas" à distância e publicamente (vide a Homecoming Tour da australiana e a Sticky & Sweet da americana). 


À esquerda: Kylie cantando "Vogue" da cantora Madonna durante a turnê de 2006 "Homecoming". À direita: Madonna cantanto "Vogue" em 2008 durante a Sticky & Sweet Tour, usando nos dançarinos o mesmo figurino da turnê de Kylie. 

Podemos comparar o trabalho das duas? De certa forma sim, principalmente no quesito turnês. As duas fazem shows gigantescos e como muitos dizem por aí "elas sabem criar uma performance como ninguém".

As duas cantoras dividem seus shows em blocos, ainda que Minogue faça muito mais blocos do que Madonna, mas a fórmula é a mesma, cada bloco com uma temática e com músicas que seguem a proposta. 

No caso de Madonna, geralmente, seus shows são uma narrativa, no de Kylie, os shows não possuem uma linearidade por assim dizer (apesar de gostar muito da Kylie, não sou muito conhecedor de todos os seus trabalhos. Perdoem se eu falar alguma bobagem).

Falando em shows e em comparação, as duas já fizeram um segmento inteiro dedicado à cultura Japonesa. Então vamos falar desse momento Geisha das gigantes do Pop. Embarque comigo para:


DROWNED WORLD TOUR & KYLIEX2008 TOUR


Por ordem cronológica dos shows, vamos começar por Madonna e sua Drowned World Tour de 2001 - para trabalhar seus discos "Ray of light" (1998) e "Music" (2000). O show foi dividido em cinco blocos, cada um representando uma fase da carreira de Madonna, sendo o segundo bloco, "Geisha", que me interessa.

Quem conhece o trabalho dela, sabe que a transição dos blocos se dá por um vídeo que, geralmente, é acompanhado de uma performance no palco. 

Para nos introduzir ao seu bloco oriental, a cantora nos ofereceu um de seus vídeos mais belos (em minha modesta opinião) para a canção "Paradise (Not for me)" retirada de seu disco "Music" (2000)


No vídeo, Madonna encarna uma geisha moderna e, ao que tudo indica, está sendo preparada para algo (uma batalha talvez?). Ao final do vídeo ela caminha em direção à luz, assim como manda a letra da música: "há uma luz sobre a minha cabeça". No palco, quatro dançarinos aparecem pendurados de cabeça para baixo. Quando a performance chega ao fim, eles têm luzes dentro de suas bocas (da mesma forma que Madonna mostra no clipe).


Em 2008, Kylie sai em turnê para divulgar seu disco "X", por isso o show é nomeado de KylieX2008. O espetáculo foi dividido em sete blocos, sendo o quinto, "Naughty Manga Girl", que me interessa. 


Para introduzir o bloco, Kylie nos presenteou com um vídeo para a canção "Sometime Samurai", música que havia escrito há muito tempo e que só ganhou vida em 2005, quando feita a parceria com Towa Tei. (Clique aqui para ler a história da canção). No palco, acrobatas realizavam movimentos inspirados em samurais, com espadas e muitos saltos. (Só encontrei vídeo da projeção e não da performance toda). E que geisha linda essa da Kylie, né?!



Logo em seguida, Madonna traz "Frozen" e que, para mim, é a uma das melhores performances ao vivo da canção. Ela sobe ao palco com um kimono de mangas extremamente longas. 
Como é sabido, Madonna refaz o arranjo das canções e essa ficou bem oriental (é claro!), com coreografia inspirada, certamente, em artes marciais.


Os acrobatas de Kylie saem do palco, dando lugar a uma pirâmide e aos Samurais. Nos vemos imersos no Japão, com pétalas de cerejeira caindo do teto; dançarinas também surgem do teto (como em "Frozen"). De dentro dessa pirâmide surge Kylie com um figurino inspirado em Manga e canta um remix de "Come into my world". Outra performance ao vivo de uma canção que eu acho a melhor até o momento. É para correr pra pista e dançar.


(É bem complicado de encontrar vídeos desse show da Kylie com boa qualidade e completos)


Terminada "Frozen", Madonna traz um interlúdio com uma breve introdução de "Open your heart", bem oriental, para logo em seguida emendar com "Nobody's perfect". É uma encenação em que Madonna é sacrificada por seus pecados.


Falando em pecado (até parece que eu sou moralista), Kylie parte para o erotismo e sensualidade com "Nu-di-ty". Começa com os seus dançarinos fazendo um delicioso striptease, até porque a letra da música diz "é hora de tirar a roupa" e então fazem uma coreografia bem maneira. 


Aliás, Madonna e Kylie sabem escolher bem os seus coreógrafos. Na projeção, uma geisha nua, safadinha.


Então chega a parte mais icônica do show (senão uma delas). Madonna apresenta um medley de "Mer girl" e "Sky fits heaven". A performance começa de forma suave para, em seguida, o palco se transformar numa batalha de artes marciais e quando a luta termina, a calmaria retorna com "Mer girl" (reprise). Esse momento todo foi inspirado no filme chinês "Crouching Tiger, Hidden Dragon" (2000).


Lembram que eu mencionei que a geisha de Madonna parecia estar se preparando para uma batalha? Pois então, é nesse momento do show que eu acho que se confirma a minha hipótese. Na projeção ao fim da performance, vemos a mesma geisha toda surrada e sangrando (sem contar que Madonna usa no palco quase o mesmo visual). E assim se encerra o seu bloco oriental. 


Para encerrar o seu bloco oriental, Kylie nos traz "Sensitized". Os dançarinos homens saem do palco, acrobatas fazem poses incríveis na estrutura ao redor da pirâmide, as dançarinas fazem sua coreografia. 

Na projeção, Kylie ainda de geisha, agora com outro figurino, um "kimono moderno", curto e preto. 


Aqui nesse link é possível ver as performances da X2008 tour em melhor qualidade.

Certo, sabemos que Madonna encerrou o seu bloco oriental lá atrás, no entanto, não posso deixar de mencionar o seu vídeo que introduz o próximo  bloco. Um remix de "What it feels like for a girl"; Madonna desaparece do palco e no telão uma animação japonesa violenta e sexualmente explícita, a projeção contém passagens do anime "Perfect Blue" (1997).


O que posso dizer... cada uma nos trouxe uma representação diferente da cultura japonesa. Quem foi melhor?! Eu acho que seria uma disputa gigante, pois as duas performances carregam momentos excelentes. É claro que em momento algum as coloquei em batalha e, ainda posso dizer que são dois blocos de tirar o fôlego, tanto pela beleza quanto pelas coreografias. 

Duas retratações diferentes de geisha, Kylie chegando mais "próxima" da clássica no visual (e no palco, Kylie encarnou uma "manga girl"), porém Madonna, como sempre, foge do tradicional e nos trouxe uma geisha ninja (se é que posso dizer isso).  

É possível comparar os blocos pois se tratam do mesmo tema, mas ao mesmo tempo são propostas completamente diferentes. 

Como eu disse (assim como muita gente diz) essas duas sabem fazer um show. Por essas e outras que repito, se existisse uma realeza do pop, Madonna seria a rainha e Kylie, a princesa.


Gosta dessas performances? Sinta-se em casa para dizer o que acha.

imagens: 
madonnaminogue.tumblr.com / atrl.net / dashusland.com / youtube.com / prince.org / mad-eyes.net / kylie.com.br / vimeo.com / madonnashots.com / pinterest.com / portalpopline.com.br
references: 
wikipedia,org

terça-feira, 30 de junho de 2015

O duplo sentido que [só] eu enxergo

Eu sou daqueles que enxerga putaria onde não tem. Nem fico com vergonha em admitir... aliás, quem nunca?! Eu duvido que não exista alguém perturbado como eu

Pensando nisso, eu comecei a prestar mais atenção em algumas músicas (infantis ou não) e reparar nesse duplo sentido que [muitas vezes] só eu enxergo. 

É claro, minha gente, que estou apenas brincando aqui, não quero ninguém me xingando muito no Twitter porque estou dizendo bobagens; vamos manter a calma e o bom humor. Rir é o melhor remédio.





Plunct, Plact, Zuuum (1983)
Ah, os anos 80. A Rede Globo exibia um especial infantil, muitas participações especiais, muita tecnologia boa (para a época) e uma música com nome de "Gruta das formigas" de Sérgio Sá...



O instrumental, por si só, já é uma viagem no ácido, mas é com a letra, meus amiguinhos, o meu problema. O início tudo bem "Marshmallow, chocolate, caramelo, chantilly", daí você está ali bem de boas escutando, pensando numa mesa de doces até que: 
"Quanta criança com cobertura, doces melhores eu nunca vi

Quando me lembro que posso comer uma dessas delicinhas
Meu corpo todo começa a tremer
E eu não consigo me aguentar"

Quando nada poderia ficar pior, a música se aproxima do fim assim:

"Vem, vê se pega, não me pega, nem me pegará
Pode correr, tente agarrar
Quanto mais você me esfrega
Mais o doce escorrega"


Pois é, musical infantil dos anos 80. 



Sexto Sentido (1994)

Que a Xuxa é rainha dos baixinhos, ninguém pode negar. Mas ela também pode ser a rainha do duplo sentido. Quem nunca escutou a lenda de rodar os LPs ao contrário para ter uma mensagem satânica?! 

Quem olha para essa expressão inocente da capa do disco nem pode imaginar o que está em seu interior, a música "Hey DJ". 




Sexto sentido, duplo sentido... começamos bem! A letra é bem simples "Sou feliz / Como estou feliz / Vou dançar / Vou me acabar". Até aí, tudo bem, quem não é feliz?! A música é um batidão para quem curte se atirar na pista. Estamos lá dançando até que: 
"Toca pra mim
Hoje o meu corpo vai flutuar"


Oi?! Quê?! Deixa pra lá... eu sou muito pervertido mesmo. 



Carnaval Eletrônico (2004)

Taí um estilo musical (um dos) todo trabalhado no duplo sentido: o axé. Daniela Mercury lança o disquinho toda moderna, mesclando seu axé com música eletrônica. Legal, maneiro, vamos ver as faixas: "Maimbê Dandá"... ok, "Quero Ver o Mundo Sambar"... ok, "Vou Batê Pá Tu"... opa!


Sei lá o que o compositor quis com essa música, tentei analisar com outros olhos, mas minha mente perversa não deixou. Espia a letra aí e me ajuda: 

  "Vou batê pá tú
Bate pá tú
Pá tú batê

Amanhã a pá não me dizer
Que eu não bati pá tú
Pá tú pode batê

Entregação com dedo de veludo
Com quem não tenho grandes ligações"

Sei lá... 

Mas isso não é exclusividade brasileira, lá na gringa tem safadeza também!



Butterfly (1997) 

Não se iluda com essa cara de santa da capa do disco. A primeira música acaba com tudo isso. E o nome do disco?! "Borboleta"... nem comento. Prestenção que o álbum começa com "Honey".



Uma doçura os vocais de Mariah Carey... tudo enganação. Para quem perdeu aquela aula de inglês, o título da canção em português é "Mel" ou "Doçura/Querido", depende da sua mente. Mas onde está o problema? Eu digo, aqui: 

"And it's just like honey

When your love comes over me
Oh baby I've got a dependency
Always longing for another taste of your honey

It's like honey when it washes over me

You know sugar never ever was so sweet
And I'm dying for you, cryin' for you, I adore you
One hit of your love addicted me
Now I'm strung out on you darlin' don't you see
Every night and day
I can hardly wait for another taste of honey

Honey I can't describe

How good it feels inside (yeah)"

Em português é tipo assim:

"E é apenas como mel
Quando seu amor toma conta de mim
Oh, baby, eu tenho uma dependência
Sempre ansiando por outro gostinho do seu mel
É como mel que derrama sobre mim
Sabe, o açúcar nunca foi tão doce
E eu estou morrendo por você, chorando por você, eu te adoro
Seu amor me atingiu e me viciou
Agora estou presa à você, não vê? 
Dias e noites, mal posso esperar para experimentar o seu mel mais uma vez. 
Querido, não consigo descrever
Como é bom sentir isso por dentro, sim"

Mel? Aham, mudou de nome agora. Sei bem o que você quer que ele "derrame" em você... safada. 



I Am... Sasha Fierce (2008)

Começa com um alter ego (quem nunca quis aprontar e botar a culpa no alter ego?), Beyoncé se diz ser possuída pelo ritmo ragatanga quando pisa no palco e essa persona tem nome: Sasha Fierce. Gosto do disco, mas uma canção em especial me chamou a atenção, "Ego".  



Essa música é mais sutil, por isso tentarei explicar a perversão (ou não). Demorei para sacar (e precisei de ajuda da internet e seus usuários criativos). Na letra, Beyoncé diz que o cara tem um Ego grande, mas que ela gosta. Até que eu resolvi pensar no maridão dela, o Jay Z, e naquele enorme "ego" que ele deve ter. Pois para mim, só o "ego" dele para justificar o amor da Bey, porque ô cara feio. E analisando a letra, Bey-Bey diz assim:

"Damn I know I'm killing you with them legs
Better yet them thighs

It's too big (big)
It's too wide (wide)
It's too strong (strong)
It won't fit (fit)
It's too much (much)
It's too tough (tough)

He got a big ego
Such a huge ego
I love his big ego
It's too much
He walk like this 'cause he can back it up"


Em bom português, o trecho diz: 

"Caramba... eu sei, estou te matando com essas pernas Melhor ainda, essas coxas / É muito grande, É muito largo, É muito forte, Não vai caberÉ demais, É muito duroEle tem um grande ego, Um ego enormeEu adoro o seu grande ego, É demais / Ele anda assim porque ele se garante" 
Quer dizer... ego! 


É isso minha gente, eu vou ficando por aqui, sem vergonha mesmo e nem sei se conseguiram pescar as minhas pirações. Vou deixá-los pensando. Qualquer coisa, só comentar.


images:
www.nesseuniversoparalelo.com

pt.wikipedia.org