Eis que ele, a matriarca, o patriarca e a MCGC (Menina com Cabelos de Gal Costa) resolveram se aventurar além-fronteiras da Rua Abóbora.
Seria lindo se o passeio fosse pelo restante da quitanda, mas a matriarca estava decidida a descer o nível. Queria visitar um dos infernos terrenos que se chama “Uberaba de Baixo”. (só Jesus que socorre!)
O pior de tudo foi visitar essa “região” a bordo de uma banheira-carroça-sucata motorizada, quem um dia pudemos chamar de “carro”. Anda pra lá, anda pra cá, uma rua pior do que a outra. Matagal pra lá, matagal pra lá, lama ali, lama aqui, gente sem dente ali, gente sem dente acolá. Opa! Vi um nariz escorrendo e um cabelo loiro-queimado com raiz preta. E no meio de tudo isso, no meio de uma rua qualquer, o maravilhoso automóvel [miespanca] para de funcionar [morri]. Por sorte, ainda era dia, o sol ainda iluminava.
E ficaram os quatro ali, parados no meio da rua, dentro da banheira-carroça-sucata pifada. O patriarca desce para ver o que aconteceu com o geriátrico automotor. Gira a chave e o pobre velhinho tosse tosse tosse... e nada! E agora José? O carro pifou, na rua parou e a gente se lascou.
Um senhor se aproxima e, ao invés de ajudar, só dava palpites e fumava seu cigarro. O patriarca se estressa com o senhor, e os ocupantes da banheira rezam. Será que o patriarca perdera a noção do perigo? Sendo malcriado com uma pessoa daquela região? Uma pessoa que poderia chamar uns amiguinhos para dar uma surra em todos eles? E não se tratava de qualquer região, mas da região com o toque de recolher.
Talvez a banheira-carroça-sucata tenha pressentido o perigo e resolveu parar de gracinha e voltar a funcionar. E eles se mandaram num rabo de foguete de volta para a segurança da quitanda que [me] habita(m).
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
A Monarquia
Muito antigamente, mas muito antigamente mesmo existiam os cobradores de impostos que obedeciam a ordens vindas diretamente do Rei. Esses funcionários exemplares saíam desbravando pobres vilarejos e cobrando os impostos absurdos que o Chefe pedia e AI DE VOCÊ se não tivesse a grana. Eles tomavam o que viam pela frente em troca do valor que você não dispunha. Nos tempos atuais, isso ainda existe. Ele tem os seus cobradores de impostos também, mas vamos chamá-los de cobradores apenas. E ele não tem para onde correr, esses cobradores dormem no quarto ao lado.
Mesmo sabendo que o pobrezinho estava realmente pobre, eram imperdoáveis. Na canalhice, vinham cobrá-lo praticamente com lágrimas aos olhos, dizendo:
– A situação está complicada, eu jamais faria tal coisa se a nossa situação fosse diferente.
Nooooooooooooossa, praticamente ele pensou que todos passavam fome (assim como ele), mas pelo contrário, eles comiam e muito bem. E um belo dia todos eles tiveram que mudar de vilarejo. Mesmo sabendo que o pobrezinho estava sem um emprego e sem condições de comprar ao menos uma pasta de dente, resolveram se enfiar no lugar mais longe para facilitar tudo, já que era “direto com o proprietário”.
Ele conseguiu um emprego, bem modesto que mal pagava sua mensalidade da faculdade (quem nem é cara), e é claro que os cobradores estavam em alvoroço. Ouviam o tilintar das moedas de longe, podiam farejar as notas de reais. O modesto salariozinho que ele tentava JUNTAR para pagar as mensalidades atrasadas e garantir um pedacinho do seu futuro. Mas os cobradores eram implacáveis, novamente chegavam com lágrimas aos olhos, e praticamente colocando a culpa nele por estarem naquelas condições. Era de cortar o coração perceber que eles também nem podiam se divertir, se descontrair, comprar um DVD, um CD, comer uma pizza. Ledo engano.
Só que os cobradores são muito espertos, vampirescos, descobriram uma carne macia para chupar uns capitais e com suas auréolas de plástico chamaram seus genitores para morar junto com eles, ali na masmorra. Ao mesmo tempo, alegaram que ele estava sendo explorado no seu emprego medíocre e o fizeram desistir dele. Talvez para deixá-lo bem dependente deles e não abrir a boca para reclamar de nada. A ideia foi linda, “vamos nos reunir”, só que tem um porém bem PORÉM nos bastidores. Tudo não passava de um truque para os cobradores acumularem seus montantes e sair por aí, comprando BOXES de seriados, filmes e afins, viajarem para a puta que os pariu quando bem der na telha e até programar um herdeiro. “NOSSA?!” Ele se pergunta “cadê a situação difícil?! Parece que simplesmente se dissipou como a fumaça da água fervendo”. Devem levar essa estratégia de superação para Brasília a ajudar o país:
Como sair da crise em 01 dia!
Parece que os tempos mudaram. Talvez só no calendário, porque as pessoas continuam as mesmas. Traidoras e dissimuladas.
Mesmo sabendo que o pobrezinho estava realmente pobre, eram imperdoáveis. Na canalhice, vinham cobrá-lo praticamente com lágrimas aos olhos, dizendo:
– A situação está complicada, eu jamais faria tal coisa se a nossa situação fosse diferente.
Nooooooooooooossa, praticamente ele pensou que todos passavam fome (assim como ele), mas pelo contrário, eles comiam e muito bem. E um belo dia todos eles tiveram que mudar de vilarejo. Mesmo sabendo que o pobrezinho estava sem um emprego e sem condições de comprar ao menos uma pasta de dente, resolveram se enfiar no lugar mais longe para facilitar tudo, já que era “direto com o proprietário”.
Ele conseguiu um emprego, bem modesto que mal pagava sua mensalidade da faculdade (quem nem é cara), e é claro que os cobradores estavam em alvoroço. Ouviam o tilintar das moedas de longe, podiam farejar as notas de reais. O modesto salariozinho que ele tentava JUNTAR para pagar as mensalidades atrasadas e garantir um pedacinho do seu futuro. Mas os cobradores eram implacáveis, novamente chegavam com lágrimas aos olhos, e praticamente colocando a culpa nele por estarem naquelas condições. Era de cortar o coração perceber que eles também nem podiam se divertir, se descontrair, comprar um DVD, um CD, comer uma pizza. Ledo engano.
Só que os cobradores são muito espertos, vampirescos, descobriram uma carne macia para chupar uns capitais e com suas auréolas de plástico chamaram seus genitores para morar junto com eles, ali na masmorra. Ao mesmo tempo, alegaram que ele estava sendo explorado no seu emprego medíocre e o fizeram desistir dele. Talvez para deixá-lo bem dependente deles e não abrir a boca para reclamar de nada. A ideia foi linda, “vamos nos reunir”, só que tem um porém bem PORÉM nos bastidores. Tudo não passava de um truque para os cobradores acumularem seus montantes e sair por aí, comprando BOXES de seriados, filmes e afins, viajarem para a puta que os pariu quando bem der na telha e até programar um herdeiro. “NOSSA?!” Ele se pergunta “cadê a situação difícil?! Parece que simplesmente se dissipou como a fumaça da água fervendo”. Devem levar essa estratégia de superação para Brasília a ajudar o país:
Como sair da crise em 01 dia!
Parece que os tempos mudaram. Talvez só no calendário, porque as pessoas continuam as mesmas. Traidoras e dissimuladas.
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