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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Regressão

E novamente ele subiu aquelas escadas, e na sua mente pareceu estar revivendo aqueles dias assustadores. Enquanto estava no carro, seus olhos se verteram em lágrimas. E se não voltasse como da última vez não voltou?! 
A cidade toda iluminada, mas ele só via as luzes passarem por ele, quando na verdade era ele quem passava por elas. E o medo, não, apreensão. Apreensão das próximas horas incertas. Horas que se tornaram nove, que pareceram um dia inteiro. 
Mas finalmente ele voltou, finalmente estava entre os seus novamente. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Unprintable


Comecei a escrever estas palavras tresnoitadas e cheias de ansiedades às 6:10 da manhã do dia 13 de Janeiro, uma sexta-feira. O sol já começa a despontar no horizonte róseo do amanhecer. Com o advento da aurora, mais e mais sons de pássaros podem ser ouvidos, seus pios, grasnados e cantos formando um coral sacro que entoa hinos de adoração ao novo dia que se inicia devagar. Dentro deste quarto, porém, a força que impera é a do descontentamento, este, ocasionado novamente pela eterna fonte de dúvidas e problemas que aflige o coração deste que escreve: o amor.
Dessa vez, não houve mágoa ou traição, muito menos desentendimento ou separação. Existe somente a angústia do incerto, a maldição do não-dito, a dor que se sente com frequência, em pequenas doses, mas que consegue ser mais vil e debilitante do que os males vindos de grandes impactos.
O que fazer em momentos assim, quando o objeto de tua paixão se encontra tão fraco e vulnerável quanto tu pensas ser, mas, ao contrário de ti, reluta em descobrir uma nova possibilidade, em se abrir e deixar com que esse novo sentimento seja criado, que essa nova centelha de esperança surja, combata as sombras e ajude-o a se curar?
E, por esse bloqueio, a quem atribuir a culpa? Ao que veio antes, por tê-lo ferido? Ao próprio rapaz, por ter entregado tanto de si que se submeteu à tortura? Ou a ti próprio, por ter se apaixonado perdidamente por alguém tão triste, maltratado e assustado quanto também és?
6:41. Os primeiros carros começam a se insinuar, correndo pelas ruas com seus potentes motores. Os pássaros continuam a cantar sua parte na grande Musica Universalis. O sono ainda não poderia estar mais longe desta cama, enquanto através da tinta de uma caneta, o notório coração noturno e insone continua a tentar encontrar descanso e sonhos derramando-se em uma folha de papel. Seu único alento é sua Arte. Arte esta que continua a ser tanto escudo quanto punhal, tanto abrigo quanto tempestade, tanto disfarce quanto espelho revelador.
7:02. A luz domina o exterior da casa. Finalmente os olhos vermelhos e lacrimejantes, cansados de tanto verter lágrimas começam a ceder. O corpo se alonga sobre o leito e, por debaixo do travesseiro macio, o plano dos sonhos inicia seus trabalhos. Que eles sejam bons. Algo por aqui precisa ser.

(Thèrese Nouvion)

sábado, 2 de junho de 2012

I'm a sinner... I like it that way!

Uma vida de excessos ou quase isso. Quero dizer, o começo da vida de excessos já que ele ainda tem um montão de vida pela frente. Agora ele só pode viver de um jeito só, até que descubra outros modos de seguir em frente. Escolhas feitas no passado que não o deixam arrependido e tampouco o fazem desejar ter vivido diferente. Tudo é uma questão de escolhas, e você só vai atrás daquilo que consegue suportar e carregar. 
Por vezes os olhares inocentes pesam sobre ele, olhares conhecidos e que não mudaram em nada, mas que por alguma razão parecem pedras sobre o seu corpo. Se ele nunca se importou com opinião alheia, agora parece que elas estão sendo atiradas em sua cara e ele vê a possibilidade de dar atenção, justamente quando menos deveria se importar e continuar. Talvez seja coisa da sua cabeça também. 
Algumas vezes os seus olhos estão pesados demais para subir e encarar alguém de frente, olho no olho. Até chega a pensar que perdeu toda a sua dignidade e caráter, que tudo não passou de uma farsa e que é um hipócrita. Em outros momentos pensa que, na verdade, é um verdadeiro Titã para suportar tamanho peso sem fraquejar. Mesmo não sendo tão religioso como costumava ser, tem horas em que acredita bem na parábola que diz que "Deus não nos dá um fardo maior do que podemos carregar". Modéstia de lado, ele está correndo maratonas agora e não está sentindo nada. Ao menos por enquanto.